O INSTITUTO MAHLE E A ANTROPOSOFIA

Desde a sua origem, há quinze anos, o Instituto Mahle atua de forma totalmente alinhada com a filosofia antroposófica aplicada a projetos de responsabilidade social voltados às pessoas, à natureza e ao meio ambiente. Em sua trajetória, o Instituto tem honrado e, mais do que isso, comprovado a extrema importância de sua missão originária: mobilizar pessoas e entidades em torno de iniciativas que promovam o desenvolvimento humano (em sua essência espiritual, psíquica e orgânica) e a integração do ser humano com a natureza e o universo, utilizando-se dos princípios da Antroposofia, conforme a visão de Rudolf Steiner.

 

A história da Antroposofia no Brasil remonta aos anos 30 do século passado, quando imigrantes europeus iniciaram seu estudo e disseminação no país. Antes da Segunda Guerra Mundial, já estava disponível por aqui o livro ‘Como se adquirem conhecimentos de mundos superiores”, na tradução pioneira de Lavínia Viotti. Depois da guerra, um impulso considerável foi dado pelo Dr. Rudolf Lanz, que organizou várias palestras públicas do Professor Otto Julius Hartmann, da Universidade de Graz, Áustria, importante estudioso e autor de livros sobre Antroposofia. Em 1956, era inaugurada a primeira Escola Waldorf do Brasil, no bairro paulistano de Higienópolis; hoje, instalada no bairro de Santo Amaro, a Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo oferece da educação fundamental ao ensino superior.

 

A partir da semente plantada na capital paulista, a Pedagogia Waldorf se espalhou por todo o país. Também no final da década de 50, foi introduzida a Medicina Antroposófica no Brasil, com a abertura da Weleda do Brasil, Laboratório e Farmácia. Três anos antes, entretanto, a Dra. Gudrun Schmidt já havia se estabelecido como a primeira médica antroposófica no Brasil. A agricultura biodinâmica, por sua vez, foi implantada no país em 1973, na Estância Demétria de Botucatu.

 

É nessas três áreas da prática Antroposófica – Educação, Saúde e Agricultura – que fundamentalmente atua o Instituto Mahle. O período mais recente, marcado pela devastadora pandemia, trouxe desafios inéditos para todos, instituições e indivíduos, no mundo inteiro, com impactos na nossa vida pessoal, profissional e familiar. No Instituto, a preocupação inicial foi proteger e apoiar nossos colaboradores e voluntários; logo em seguida, ao lado de nossos parceiros, reavaliamos, adaptamos e remodelamos programas aprovados antes da pandemia; e ainda organizamos o apoio a novos, inesperados e imprescindíveis projetos. Mas foi também um período para olharmos para dentro de nós mesmos e para o próprio histórico da nossa atuação, avaliar o trabalho realizado nos últimos anos e constatar a importância crescente – e ainda mais evidenciada pela pandemia – dos conceitos básicos e pioneiros da Antroposofia, que falava de Saúde, de Educação e de Agricultura, muito antes da emergência climática, da alimentação orgânica, da educação inclusiva e da medicina mais humanizada tornarem-se temas cada vez mais presentes para um número imenso de pessoas e instituições em todo o planeta.

 

Nunca foi tão premente nos voltarmos não só para o apoio às práticas e a formação antroposóficas, como também para a pesquisa e a comunicação. Essas duas últimas passaram a ser, também, prioridades do Instituto Mahle.

 

É o que nos impõe o próprio tempo e a sociedade, para atrairmos novos projetos e novos parceiros. Nosso acordo de cooperação com a Fundação MAHLE alemã segue como fundamental para a nossa atuação. Mas são principalmente os nossos parceiros, colaboradores, voluntários e principalmente, a carência do povo brasileiro, que nos faz renovar a cada dia a certeza do caminho percorrido e as enormes responsabilidades que nos aguardam e nos movem, sempre para a frente.s